A
chegada da primavera traz calor, trovoadas e temporais, e com eles um teste que
todo condomínio enfrenta: o do sistema de drenagem, da impermeabilização e da
manutenção acumulada ao longo do ano. Prevenir é sempre mais barato do que
consertar, e a prevenção começa muito antes da primeira tempestade.
Um
cenário que pede atenção
Os
órgãos de Defesa Civil vêm alertando que eventos extremos tendem a se repetir.
O Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil trabalha com cenários para 2030,
2034 e 2040, e o então ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional
destacou que, segundo alertas do IPCC, chuvas intensas, enchentes e estiagem
serão cada vez mais frequentes no país. Para o condomínio, isso significa
tratar a manutenção contra chuvas como rotina permanente, e não como resposta a
emergências.
O
básico que evita a maior parte dos problemas
A
Defesa Civil do Rio Grande do Sul, em suas orientações, recomenda limpar
calhas, bueiros e ralos para facilitar o escoamento, revisar telhados e janelas
e cortar galhos que possam cair sobre imóveis, veículos ou fiação. No
condomínio, isso se traduz em um cronograma: calhas, grelhas, canaletas e ralos
das áreas comuns devem ser limpos antes do período chuvoso e conferidos depois
de cada temporal forte.
A
segunda frente é a impermeabilização. Lajes, coberturas, terraços,
reservatórios e paredes em contato com o solo dependem de camadas em bom
estado. Manchas de umidade, bolhas na pintura e fissuras são sinais precoces, e
um reparo feito a tempo custa uma fração do que se gasta depois de a
infiltração atingir o apartamento do vizinho de baixo.
Em
prédios com subsolo, o cuidado com as bombas de recalque é decisivo. Vale
testá-las periodicamente, verificar boias e quadros elétricos e, sempre que
possível, contar com bomba reserva e gerador para casos de queda de energia.
Caixas de gordura e redes de esgoto também merecem limpeza regular por empresa
especializada, já que o volume extra de água da chuva pode provocar refluxo em
tubulações obstruídas. A ABNT NBR 5674, que trata da gestão da manutenção de
edificações, é um bom guia para organizar esse calendário, e o mesmo vale para
o sistema de proteção contra descargas atmosféricas, que precisa estar em dia.
Segurança
das pessoas em primeiro lugar
Um
bom plano de ação define quem faz o quê quando a água sobe: quem desliga a
energia da área afetada, quem orienta a retirada dos veículos da garagem e quem
aciona a manutenção e os órgãos competentes. Os avisos aos moradores devem ser
rápidos, pelo aplicativo, mural ou grupo oficial. Vale reforçar também que a
água em áreas alagadas pode esconder buracos e bueiros abertos e formar
correnteza capaz de arrastar pessoas e veículos, por isso ninguém deve
atravessar pontos alagados, a pé ou de carro. Lembre-se ainda de que avisos e
alertas são previsões e podem ou não se confirmar, mas é melhor se preparar
para um alerta que não se concretiza do que ser pego de surpresa. Em
emergências, o telefone do Corpo de Bombeiros é o 193.
E
se o problema aparecer?
Registre
tudo com fotos e vídeos, comunique imediatamente o síndico e a administração e,
se necessário, acione empresas especializadas. Quando a infiltração tem origem
em área comum e atinge unidades, uma avaliação técnica ajuda a definir a causa
e as responsabilidades de cada parte.
Um
condomínio que cumpre seu cronograma de manutenção chega ao período de chuvas
com menos riscos, menos custos e mais tranquilidade para os moradores.
Fontes: Defesa Civil RS – cuidados durante avisos e alertas · Agência Gov – Plano Nacional de Proteção e Defesa
Civil