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Por Lilian Neves

Estamos diante de uma das maiores crises de saúde e economia já enfrentada por todo o mundo.

O Brasil com indicadores preocupantes de casos de Covid 19 e a projeção econômica apontando para uma retração do PIB brasileiro (Produto interno Bruto) na ordem de -8%.

Nesse contexto, estão os nossos condomínios.

Em primeiro lugar, nossa preocupação é com as pessoas e vidas, razão pela qual nossos síndicos e gestores tem adotado todas as medidas preventivas relacionadas ao distanciamento social com o fechamento de áreas comuns, higienização e sanitização de espaços e equipamento, utilização de EPIs (equipamentos de proteção), controle de acessos, dentre outras medidas indispensáveis.

Entretanto, o componente econômico desta crise tem efeitos sérios sobre a saúde financeira dos condomínios. Por dois ângulos:

Receita: Com o nível de paralisação e retração da economia, muitos empregos no comércio, serviços e industrias foram suprimidos. O condômino, via de regra, é um assalariado e paga a cota condominial com a sua renda mensal. Não tendo renda, como arcar com a cota condominial mensal? Esse efeito ocorre fundamentalmente nos índices de inadimplência.

Despesas: Nesse momento de tantos desafios, muitos síndicos adotaram medidas contingenciais, reduzindo os custos possíveis. No entanto, muitos tiveram despesas adicionais ligadas às medidas preventivas, especialmente as relacionadas à higiene e limpeza de áreas comuns, EPIs para os colaboradores, dentre outros.

Em suma, nos dois ângulos do problema nossos gestores vêm enfrentando grandes obstáculos circunstanciais da Pandemia.

Outro ponto que merece atenção é que as assembleias, especialmente as ordinárias, que se realizam quase sempre no primeiro trimestre do ano, foram adiadas pelos justos motivos do distanciamento social e os orçamentos anualmente revistos que são pauta das AGOs (assembleias ordinárias) deixaram de ser examinados até aqui.

Como toda dificuldade envolve também uma oportunidade, nossa recomendação é que os síndicos e gestores aproveitem esse momento de transição até a volta à normalidade para uma análise profunda orçamentária. Isso porque os desafios econômico-financeiros prosseguirão por um período de, pelo menos, médio prazo.

Uma boa ferramenta de gestão sempre e, em especial nesse momento, é a chamada Curva ABC. Sua base é um teorema de um economista do século XIX chamado Pareto. O estudo de Pareto revelou que 80% da riqueza de uma sociedade estava concentrada em 20% da população. Daí o nome 80-20.

A ferramenta “80-20” proporciona clareza e controle ao síndico e gestor condominial dos itens que são os principais “drivers” dos custos.

Ao observarmos o orçamento condominial à luz da Curva ABC, encontraremos esse teorema na prática.

Por exemplo, os custos de pessoal e custos de concessionárias (energia/água/esgoto) juntos representam cerca de 80% do orçamento. Ou seja, são duas rubricas-alvo de constante atenção e gerenciamento.

Consequentemente, requerem que os gestores dediquem mais tempo e energia nos itens que tem maior significado econômico e materialidade na gestão.

Alguns exemplos de medidas práticas sobre essas rubricas:

Pessoal:

  • Análise do melhor modelo de pessoal a adotar: orgânico, terceirizado ou misto;
  • Revisão de escalas e adoção de otimizações, sem gerar horas extras ou passivos trabalhistas;
  • Treinamento nas funções com o objetivo de maior produtividade e qualidade de serviços;
  • Rotinas de trabalho. Ao adotar os checklist das atribuições de portaria, limpeza e manutenção é provável identificar que com menor efetivo/quantitativo pode ser realizado o mesmo trabalho de forma organizada e técnica.

Concessionárias:

  • Programe inspeções constantes para detectar possíveis vazamentos;
  • Captação e reuso de água em rega de jardins;
  • Irrigação de jardins automatizada;
  • Hidrômetros individuais (consumo consciente);
  • Sensores de presença nos andares e áreas de circulação;
  • Fotocélulas;
  • Estudo de Energia solar fotovoltaica.

Em resumo, nosso objetivo foi chamar atenção no sentido de que tempos de crise são também tempos de oportunidades, basta sabermos aproveitar e utilizarmos ferramentas de gestão que nos ajudem a planejar, agir e monitorar.